segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019


DIÁRIO DE UM CIDADÃO


Tempos de decepção e reflexão

18.02.2019

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Nas últimas semanas, repetidamente (detesto o termo recorrente!), praticamente só temos visto e lido notícias trágicas ocorridas nesse nosso Brasil. São mortes demais, incompetências e irresponsabilidades demais. Foram erros de gestão? Excesso de ambição? Fiscalização frouxa? Até a falta de sorte foi protagonista, no desastre que vitimou o maior jornalista da televisão brasileira, Ricardo Boechat! As investigações estão em andamento, e esperamos que responsabilidades a executivos sejam imputadas.
Todas essas notícias tristes e fatais nos impelem a reflexões sobre a vida e como a mesma é efêmera, fazendo-nos concluir quão inúteis são os esforços em termos mais, sermos mais importantes, poderosos. A morte remete-nos à conclusão de que com ela, além da própria vida, encerram-se todos os relacionamentos, posses de quaisquer bens, e de que não somos proprietários de nada, apenas usuários.  Entretanto, acredito muito que o amor (no “amai-vos uns aos outros”), a amizade, a doação entre nós, nos fortalece em muito e faz transcender todas as nossas limitações materiais, imortalizando mesmo a nossa memória na vida de quem nos rodeou, seja família, amigos, a comunidade onde vivemos e procuramos ajudar de alguma forma.  
A impressão que fica desses desastres, quase homicídios, é que a redução de custos é quase sempre prioridade à vista da vida humana. Os custos com manutenção e prevenção da segurança sempre ficam no seu limiar, prevalecendo o risco como estratégia, fator que jamais poderia ser incluído, quando se trata de vidas humanas.
Para completar o nosso cipoal de más notícias, fomos surpreendidos com o triângulo Bolsonaro x Bebiano x Bolsofilhos, fato que resultou na exoneração do ministro, num abalo nas perspectivas de aprovação da reforma da Previdência, e até em uma queda nas cotações da Bolsa. É deveras lamentável que um Presidente da República permita que seus filhos se intrometam na gestão do pai, fato esse que até foi motivo de observação do Vice Presidente que comentou que esperava que Bolsonaro pusesse ordem na casa. Como declarou o ex-presidente Fernando Henrique, o chefe da nação deve ser muito mais um árbitro que torcedor. Realmente é um comportamento inusitado, tratar-se a gestão do Brasil como se fosse a da cozinha da família! Esse fato rendeu agressões de parte a parte, tendo um dos filhos chamado o ministro de mentiroso, este chamou o presidente de paranoico, o presidente saiu em socorro do filho e ratificou a sua agressão ao ministro. Todo esse imbróglio resultou em um terrível dilema para Bolsonaro, haja vista o número de políticos que saíram em apoio ao ministro, e os impactos políticos que todo esse barulho possa causar nas discussões dos importantes projetos no Congresso Nacional.
Como a acusação que pesa sobre Bolsonaro igualmente recai sobre o Ministro do Turismo, é bem provável que tenhamos desdobramentos.
O Governo está apenas começando!
WILTON OLIVEIRA

odisseiasentimental.blogspot.com.br


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